venerdì 11 giugno 2010

EM EXCLUSIVIDADE PARA MEU BLOG MOACYR SCLIAR


Quando cheguei no Brasil ao final do 2007 eu não falava nada de português. Só havia ouvido falar alguns portugueses na Europa e tinha vontade de chorar porque aquele idioma me parecia um mundo inextricavel e fechado. Mas as vezes o destino das pessoas é mais forte da vontade. Mudando para Brasil eu não tinha opção: aprender o português era essencial para minha sobrevivencia. Ao começo, sou honesta, era uma delicia não falar nada. Cada dia meu corpo, meu rosto se adaptavam para expressar emoções e necessidades. Além dos sentimentos universais de raiva, felicidade, tristeza, aprendi a correta expressão para comprar fruta na feira, para saber informações sobre as ruas, até para lidar com um ladrão.
Meu sorriso foi um bom passe-partout...mas além disso o que achava mais agradável neste limbo linguístico das primeiras semanas era que visitando as livrarias que eu adoro em todos os lugares do mundo a sensação era que todos aqueles livros estavam de uma certa forma me esperando. Eu formiga dentro duma montanha gostosa e rica, mas claro ainda não tinha a chave. Só que, sendo compulsiva nos livros, eu comprei. "Enigmas da culpa" de Moacyr Scliar foi o terceiro livro que eu comprei, depois do dicionário italiano-português, português-italiano e a gramática portuguesa. Porque? Como? Não sabia nada deste Moacyr Scliar mas o livro estava lá, amarelo na sua capa, por acaso abriu. O "accroche" como dizem os franceses, ou seja o começo do livro parecia ser escrito para mim "A culpa é um dedo que aponta, implacável. Aponta para quem? Para nos, claro".
"Culpa", "dedo", conseguia entender, também "implacável", são parecidos com italiano mas "apontar" tive que perguntar à moça da livraria que respondeu com o gesto correspondente.
Agora foi justamente esta interaçao entre gesto e palavra e um gesto tão forte para mim, estrangeira no Brasil, invisível neste pais que me levantou do meu limbo. Graças a este livro a moça da livraria tinha reconhecido minha existência, a força do livro tinha saído das paginas para se colocar na realidade. O efeito foi otimo e saudável para mim. Comprei o livro e deixei na minha livraria em casa na espera de aprender melhor o portugues para ler.
Desde minha chegada no Brasil então para mim Moacyr Scliar nao foi só um grande escritor mas o meu "Virgilio" nesta "terra incognita" que é o Brasil.
Ele é medico como Tchecov e através da palavra escrita não sei si cura as pessoas mas com certeza mostra os diagnósticos das nossa almas.
Moacyr Scliar aceitou de responder à algumas perguntas no meu blog. Eu agradeço ele infinitamente para ter aceitado e peço desculpa para meu português escrito que ainda está feio. Ele entao tevera que escrever ainda muitos livros para eu aprender!


Eu: Que significa hoje ser um escritor no Brasil?
MOACYR SCLIAR A situação do escritor brasileiro melhorou muito. Antes, as dificuldades de publicar eram enormes, o público era restrito. Hoje, o número de leitores aumentou, graças à alfabetização e o bom trabalho das escolas. As editoras se profissionalizaram, aprenderam a trabalhar com os leitores. A literatura mudou; o engajamento político, tônica do período da ditadura, agora é menos importante. Faz-se uma ficção urbana em que temas como a violência, a relação entre pessoas de classe média, o desamparo dos jovens aparecem muito.

Eu: Na Folha de São Paulo cada segunda feira o senhor "interpreta" fatos realmente acontecidos neste pais. Tem um Brasil sobre o qual o senhor gostaria de escrever e que ainda não tive tempo o oportunidade?
MOACYR SCLIAR O Brasil é gigantesco e tem uma diversidade incrível. Escrevo sobre o pouco que conheço, mas, devo dizer, já é mais que suficiente para me mobilizar pelo resto da vida...

Eu: O senhor è medico num pais onde a medicina é uma profissão com excelentes experts. Como esta sua profissão interagiu com sua literatura?
MOACYR SCLIAR Existe uma tradição de médicos-escritores, o que é explicável: são dois ofícios que lidam com os aspectos mais profundos da condição humana, e que valorizam a palavra (num caso como ferramenta de criação estética, no outro como instrumento de relacionamento terapêutico). No meu caso a experiência de médico clínico, e depois de médico de saúde pública, foi fundamental, não só do ponto de vista de compreensão dos seres humanos como também como porta de entrada para a realidade social.

Eu: Inspiração é a mesma em todos os países. o que é para você inspiração como escritor?
MOACYR SCLIAR É aquele instante inesperado em que o consciente, isto é, a parte da mente que lida com as palavras, que faz o texto, tem acesso ao inconsciente, o reduto de nossas fantasias, de nossa imaginação. A combinação imaginação-forma literária é a fórmula que todo escritor quer alcançar.

2 commenti:

  1. Flavia Liz Di Paolo14 giugno 2010 20:54

    Maria querida,
    adorei o que vc. escreveu antes da entrevista, além da própria!
    Meus sinceros parabéns!
    Un bacione,
    Flavia Liz

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  2. Oi Maria,

    Parabéns pela entrevista o médico e escritor Moacir Scliar e pelo que tem aprendido no nosso país.
    Abraços
    Margleice

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