lunedì 2 agosto 2010

Quando os casados dormem sós

BRUCE FEILER
ENSAIO

Meus avós paternos tinham um segredo. Quando eu era criança em Savannah, no Estado da Geórgia, na década de 1970, eles viviam na casa imediatamente atrás da nossa e faziam algo que sempre foi um mistério para mim.
Eles dormiam em quartos separados.
Eu especulava que isso tinha algo a ver com a gentileza sulista, o hábito do vovô de conversar no rádio amador até tarde da noite, ou alguma fissura invisível no casamento deles.
Mas, como meus pais dormiam em camas de solteiro lado a lado, e minha mulher e eu mais tarde escolhemos um colchão "king size", eu supunha que os quartos separados haviam tido o mesmo destino de outras relíquias. Eu estava errado. O fato é que meus avós eram precursores de uma tendência.
Quase 1 em cada 4 casais americanos dorme em camas ou quartos separados, segundo uma pesquisa de 2005 da Fundação Nacional do Sono. Estudos recentes no Reino Unido e no Japão chegaram a resultados similares. E a Associação de Construtores de Casas dos EUA prevê que 60% dos imóveis feitos sob encomenda terão duas suítes master até 2015.
O leito conjugal, que já foi um símbolo do casamento, está ameaçado de extinção. "Até que a morte nos separe" está rapidamente virando "até que o sono nos separe".
Quem dorme separado cita várias razões para isso, inclusive apneia, síndrome das pernas inquietas, a insistência dele em ver TV à noite e a necessidade dela de levantar cedo para a ioga.
Como disse recentemente ao "New York Times" Barbara Tober, ex-presidente do Museu de Artes e Design, "não é que não nos amemos, mas a certa altura você simplesmente quer o seu próprio quarto".
"O que aconteceu na última década é que as pessoas estão de repente fazendo do seu próprio sono uma prioridade", disse Meir Kryger, especialista em sono do Hospital Gaylord, em Connecticut. "Se o seu descanso está sendo prejudicado por seu parceiro, a atitude agora é de que eu não tenho de suportar isso."
As crianças representam outra ameaça. William Sears, líder do movimento da "criação com apego", diz no seu "Baby Sleep Book" (Livro do sono dos bebês, de 2005) que dois terços das famílias americanas relatam dormir "às vezes" ou "sempre" com uma criança na cama.
Paul Rosenblatt, professor de psiquiatria da Universidade de Minnesota, entrevistou 42 casais para o seu livro "Two in a Bed: The Social System of Couple Bed Sharing" (Dois numa cama: o sistema social do compartilhamento da cama entre casais) e chegou a conclusões surpreendentes.
Dormir junto é melhor para a saúde. Os pacientes citavam convulsões, choques diabéticos e outras emergências médicas que passariam despercebidas se não houvesse um cônjuge próximo.
Dormir junto é melhor para a vida sexual. "Conversei com vários homens (e mulheres) que acham que a relação sexual é bem mais frequente se eles têm acesso ao parceiro", afirmou Rosenblatt.
Dormir junto é melhor para a segurança. As mulheres, em especial, se sentem mais protegidas contra intrusos se dormem com outra pessoa.
Durante anos, dormi mal, ao contrário da minha mulher, que era uma profissional nisso. Aí tive câncer e passei nove meses na cama. Temi que minha mulher fosse se transferir para o sofá, mas ela ficou ao meu lado, e sua presença, seu toque ocasional e sua respiração tranquila confortaram muitas das minhas longas noites. Ao final daquele ano, talvez por ter confrontado meus piores temores, eu estava curado do meu desassossego.
Meus avós possivelmente apreciariam saber que, forçado a encarar os meus pesadelos, eu aprendi a não me preocupar mais e a amar a minha cama.
Esse é o nosso segredinho.

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