mercoledì 14 aprile 2010

O TERRITORIO DA INSONIA

O território da insonia é o território onde as formas do nosso subconsciente se perdem. E também as formas do nosso corpo, do rosto especialmente que fica quase "doente". Deprivacao de sono é deprivaçao de energia, de vida. Paul Davis é um artista que trabalhou muito sobre este assunto. No tempo da insonia, um tempo pesado, duro, contra o qual nos lutamos a mente elabora trechos silenciosos e o corpo segue. O Paul Davis imagina estes trechos assim:





domenica 11 aprile 2010

BY MARCOS CHAVES


BY MARCOS CHAVES


COMO RECONHECER EMOCOES SEM EXPRESSAO FACIAL


DA UOL
Pesquisadores estudam como reconhecer emoções sem a expressão facial

Benedict Carey
Kathleen Bogart, psicologia na Universidade que tem a síndrome de Moebius, uma rara condição congênita que causa paralisia facial A mulher estava sozinha e com medo, uma alma frágil numa cadeira de rodas que havia conseguido enfiar algumas posses dentro de um saco de lixo antes de evacuar a área.

Como muitos dos refugiados do furacão Katrina que foram para Baton Rouge, Louisiana, no verão de 2005, ela precisava de muito mais do que alimento e abrigo. Ela precisava de companhia, empatia – alguém, qualquer pessoa, que visse e sentisse a sua perda – e ela procurou isso em vão no rosto da assistente social designada para o seu caso. Mas a assistente social, recém-formada, parecia um pouco distante emocionalmente. Alguma coisa estava faltando.

“Eu podia ver que nossa ligação emocional estava fracassando, eu vi isso acontecer e não podia fazer nada”, diz Kathleen Bogart, 28, a assistente social que hoje é pesquisadora de psicologia na Universidade Tufts. Bogart tem a síndrome de Moebius, uma rara condição congênita que causa paralisia facial, batizada com o nome de um neurologista do século 19.

Quando as pessoas que ela ajudava mostravam uma expressão triste, ela era incapaz de corresponder. “Tentava fazer isso com as palavras e o tom de voz, mas não adiantava. Sem expressão facial, a emoção simplesmente morre ali, sem ser compartilhada. Ela simplesmente morre.”

Faz tempo que os pesquisadores sabem que as expressões faciais são cruciais para a interação social e as caracterizaram com muito detalhe. Eles sabem quais expressões são universais; são capazes de distinguir pequenas diferenças de expressão, como por exemplo entre um sorriso amarelo e um genuíno.

Mesmo assim, ainda persiste uma questão central: como o cérebro interpreta as emoções dos outros com tanta rapidez e precisão? É provável que a resposta seja imensamente importante, dizem os especialistas, para entender como as interações podem ir bem ou sair dos trilhos.

Os estudos até agora apontam para o que os psicólogos chamam de mímica facial. Durante uma interação social, as pessoas inconscientemente imitam a surpresa, o desgosto ou a satisfação das outras – e interpretam a emoção sentindo o que seu próprio rosto está expressando. Franzir o cenho é tão comunicativo quanto um sorriso, e carregam sua própria carga emocional.

Mas e se alguém é incapaz de imitar qualquer expressão?

Num novo estudo, o maior feito até hoje sobre a síndrome de Moebius, Bogart e David Matsumoto, um psicólogo em San Francisco State, descobriram que as pessoas com o distúrbio, independentemente de suas dificuldades sociais, não tinham problemas para reconhecer as expressões dos outros. Elas têm um desempenho tão bom quanto qualquer outra pessoa ao identificar emoções em fotografias de rostos, embora não tenham como imitá-las.
As descobertas sugerem fortemente que o cérebro tem outros sistemas para reconhecer as expressões faciais, e que as pessoas com paralisia facial aprendem a tirar vantagem deles. “É provável que elas desenvolvam estratégias de compensação em resposta à deficiência de longa data”, escreveu Tanya Chartrand, uma psicóloga da Universidade de Duke que não está envolvida no estudo da síndrome de Moebius, numa mensagem de e-mail. “Estratégias que não dependem do processo de mímica e permitem que elas possam entender as emoções por outro caminho.”

Se essas estratégias puderem ser ensinadas, dizem os especialistas, elas poderiam ajudar outras pessoas com dificuldades socais, seja por ansiedade, problemas de desenvolvimento como o autismo, ou causas comuns como paralisia parcial, como a paralisia de Bell.

“Eu não tinha nenhum interesse especial em estudar a paralisia facial, embora eu mesma tivesse; eu poderia ter feito muitas outras coisas”, disse Bogard em sua sala na Tufts. “Mas na faculdade eu procurei saber o que os psicólogos tinham a dizer sobre isso, e não havia quase nada. Muito, muito pouca coisa sobre paralisia. E aquilo me deixou – bom, eu fiquei com raiva disso.”

A emoção fechou seu punho, endireitou seu corpo e correu para os seus olhos, pulando o rosto. “Raiva. Pensei que afinal eu devia estudar isso, uma vez que ninguém estava estudando.”
A causa da síndrome de Moebius não é conhecida, ela afeta menos de uma entre 100 mil crianças no nascimento, resultando em paralisia total ou quase total da face. Na maioria dos casos, os olhos não piscam e a íris se move apenas para cima e para baixo, privando as pessoas de olhar para os lados, virar os olhos, fechá-los parcialmente, ou seja, de todo um vocabulário de olhares. As gozações tendem a começar logo na infância e se avolumar, e ninguém é capaz de ver a vergonha e o sofrimento nas vítimas. “É como ter uma deformidade e não ser capaz de comunicar, tudo de uma vez”, diz Bogart.
A maioria das pessoas com a condição se adapta. “Assim como os cegos, que desenvolvem mais os sentidos do tato, olfato e audição”, diz Matsumoto. “Acho que o mesmo acontece nesse caso, só que no domínio da comunicação não verbal.”

No primeiro dos dois estudos, Bogart e Matsumoto fizeram com que 36 pessoas com síndrome de Moebius olhassem 42 fotos de expressões selecionadas online, como raiva, alegria e tristeza. Os participantes identificaram corretamente as emoções em cerca de três quartos das vezes – a mesma frequência dos adultos que não tinham a síndrome. O nível de deficiência não influenciou sua pontuação.

Os resultados não implicam que a socialização seja fácil ou natural para os portadores de uma paralisia como esta; a maioria deles tem dificuldades. Bogart e Matsumoto descobriram num estudo subsequente que a principal razão para isto (além do rosto imóvel que distrai algumas pessoas) tem pouco a ver com a dificuldade em reconhecer as emoções nos outros, sugere o estudo.

É mais provável que tenha a ver com a mímica, ou a falta dela. Numa série de estudos, psicólogos descobriram que as ligações sociais entre pessoas conversando dependem muito de uma troca rítmica e geralmente inconsciente de gestos e expressões que criam uma espécie de boa vontade compartilhada. “Parte disso pode ser o acordo da própria interação”, diz Chartrand.

Se o ritmo não funciona – o estudo da síndrome de Moebius não levou em conta esse fator – então o acordo pode parecer incerto, e a interação falha.

A forma como muitas pessoas com paralisia total ou quase total superam esse problema é usando outros canais de comunicação que não o rosto: o olhar, os gestos, a postura e o tom de voz. Muitas pessoas com paralisia podem fazer com que esse instrumento expressivo se torne tão sutil e potente quanto um quarteto de cordas.

“Eu descobri a minha voz, figurativamente e literalmente, com a fonoaudiologia”, diz Matthew S. Joffe, diretor da seção de alunos na Faculdade Comunitária LaGuardia e terapeuta, que tem a síndrome de Moebius. Joffe descreveu sua paralisia como pronunciada, “com a boca que fica aberta, e o lábio inferior que se projeta para baixo.” “Eu uso bastante o humor”, diz ele. “É uma forma de mostrar minha humanidade, por um lado, e ao longo dos anos as pessoas disseram que eu tenho uma ótima risada. Agora já vivi o suficiente para concordar. Eu rio com a barriga, tenho muitas risadas para diferentes ocasiões, cada uma delas parece diferente no meu corpo. Eu aprendi logo cedo, por causa dos padrões rígidos que a sociedade impõe, que se eu não risse das coisas, provavelmente entraria em colapso.”

Bogar também tem uma risada distinta. Sua mandíbula desce, seus lábios esticam e se levantam um pouco, e todo seu tronco chacoalha. A necessidade de usar outras vias de expressão torna as pessoas com paralisia especialmente sensíveis a esses sinais nas outras pessoas. “Numa festa, sinto que posso dizer com quem vale a pena conversar em poucos segundos”, diz ela. “Consigo perceber rapidamente o quanto as pessoas estão confortáveis, ou se elas conseguem superar o desconforto.”

Alguns psicólogos afirmam que as evidências sobre as pessoas com paralisia e sem sugerem que o cérebro acessa vários canais simultaneamente quando interpreta as emoções alheias. A mímica com certeza é um deles – mas ela precisa da ajuda de outros.
Num experimento publicado no ano passado, pesquisadores holandeses fizeram com que 46 estudantes da Universidade de Leiden formassem pares para uma interação de três minutos com um colega que estava mentindo ou falando a verdade sobre ter doado dinheiro para caridade. Os alunos que foram instruídos a não imitar as expressões de seus interlocutores conseguiram determinar melhor quem estava dizendo a verdade do que os alunos que foram instruídos a imitar ou que não receberam nenhuma instrução. “A mímica, quer seja espontânea ou produto de uma instrução, prejudica a capacidade dos observadores acessarem objetivamente” os verdadeiros sentimentos dos outros.

Os gestos e tons que as pessoas com paralisia costumam usar acrescentam mais informação. “E achamos que pode haver outros sistemas, em áreas pré-motoras do cérebro, que compilam toda essa informação” para que o córtex possa fazer um julgamento da emoção, diz Matsumoto. Em seu atual projeto de pesquisa, Bogart está gravando em vídeo dezenas de interações sociais com pessoas com todo tipo de paralisia, não apenas a de Moebius, mas também com paralisia de Bell, que normalmente enrijece metade do rosto, e com pessoas com nervos danificados.

“O plano é mostrar as entrevistas para que as pessoas digam qual é sua impressão, separar todos os elementos da face, voz e gestos, para ver o que é percebido pelas pessoas como positivo ou negativo”, diz ela. “A ideia é que se pudermos aprender quais são as melhores técnicas de comunicação não verbal, poderemos ensinar as pessoas que são socialmente diferentes por alguma razão.”

Tradução: Eloise De Vylder

venerdì 9 aprile 2010

QUANDO A VIOLENCIA E' TERROR

A batalha semântica e a definição de terror
Cada vez mais o termo assume o significado de covardia, injustiça e brutalidade; atualmente a qualificação é rejeitada até mesmo pelos mais notórios terroristas


THE NEW YORK TIMES/ESTADO DE SAO PAULO


Palavras podem também ser armas. Após cada novo relato de violência política, seja apenas planejada ou de fato perpetrada, surge um debate léxico: o caso deveria ser classificado como "terrorismo"? Quando os primeiros relatos do surto homicida do major Nidal Malik Hasan em Fort Hood, Texas, em novembro, mencionaram seus problemas pessoais e deixaram de empregar o termo "t...", ativistas de direita protestaram:
tratava-se de um muçulmano radical terrorista, disseram eles, e somente uma perversão completa do politicamente correto poderia afirmar o contrário.

Quando A. Joseph Stack jogou seu avião contra um prédio de escritórios da receita federal em Austin, Texas, em fevereiro, matando a si e a um funcionário do governo, foi a esquerda que fez a denúncia linguística: se tal ato público de violência não pode ser chamado de terrorismo, então o que se enquadraria nesta categoria? Na semana passada, a detenção de nove membros da seita cristã Hutaree em Michigan acusados de planejar o assassinato de policiais trouxe de volta esta dúvida.

Seriam os detidos terroristas? Seriam cristãos? Ou apenas um bando de malucos? Se os envolvidos fossem muçulmanos, disseram comentaristas, não haveria nenhuma hesitação em qualificar o ocorrido de terrorismo islâmico.

As brigas entre esquerda e direita são tentativas de tirar proveito político dos casos de violência. Segundo a lógica da direita, se o major Hasan fosse chamado de terrorista islâmico, então a sensibilidade excessiva aos direitos dos muçulmanos não se justificaria e as duras medidas de segurança da escola Dick Cheney se provariam necessárias. A esquerda sugere que se os membros da Hutaree são cristãos de direita que temem o governo, então talvez haja motivo para temer o extremismo de outros cristãos conservadores anti-governo, sejam membros do movimento político Tea Party ou apenas republicanos.
"O uso do termo "terrorismo" deslegitima o oponente", disse Martha Crenshaw, pesquisadora de Stanford. A palavra latina na origem do termo, "terrere", significa "provocar tremores de medo", e uma noção essencial à maioria das definições do terrorismo é a ideia de que ele busca assustar o inimigo, além de inspirar os aliados.

Com o tempo o termo "terrorismo" assumiu conotações de covardia, injustiça e especial brutalidade, independentemente da causa mais ampla à qual o ato afirme servir. Atualmente, até os mais descarados terroristas costumam recusar o rótulo. Em mensagem de áudio recente, Osama bin Laden descreveu Khalid Sheik Mohammed, planejador dos ataques do 11 de Setembro, como "guerreiro santo e herói".

Pela definição padronizada, o major Hasan poderia ser considerado um terrorista. Fossem quais fossem seus problemas emocionais, ele parece ter enxergado os assassinatos como parte de uma campanha mais ampla dos muçulmanos que lutam contra aquilo que percebem como agressão americana.

Da mesma maneira, apesar de Joe Stack certamente ter tido suas críticas pessoais à receita federal, o manifesto de 6 páginas que deixou sugere que ele morreu pela causa da liberdade num golpe contra o "sr. Grande Irmão do Fisco".

É verdade que ambos parecem ter tido em comum a excentricidade e a sociopatia. Em seu desespero, ao escolher não apenas o suicídio individual, mas um ataque aos outros, e ao associar sua violência a um ponto de vista político, estes dois fizeram por merecer a classificação de terroristas.
O debate a respeito da escolha de palavras produziu a máxima "aquele que para uns é terrorista, para outros é um defensor da liberdade", que já tinha se transformado em clichê nos anos 80. "A frase é de efeito, mas também induz ao equívoco", disse o presidente Ronald Reagan em 1986.

"Os defensores da liberdade não precisam aterrorizar uma população com o objetivo de submetê-la aos seus desígnios. Os defensores da liberdade têm como alvo as forças militares e os instrumentos organizados de repressão que mantêm no poder regimes ditatoriais. Os defensores da liberdade buscam libertar seus cidadãos da opressão e estabelecer uma forma de governo que represente a vontade do povo."
Mas distinguir entre estes pontos de vista nem sempre é fácil: o major Hasan escolheu como alvo as forças militares; Stack certamente considerava o Fisco um "instrumento organizado de repressão".
Pensando nos fins e não nos meios, na disputa com a União Soviética, Reagan armou e promoveu a luta dos "defensores da liberdade" no Afeganistão e seus aliados árabes. Alguns evoluíram e se tornaram os terroristas da Al-Qaeda e do Taleban.

Retrospectivamente, aquele pronunciamento soa ingênuo também sob outro aspecto. "A história deve registrar que 1986 foi o ano no qual o mundo, finalmente, superou a praga do terrorismo", declarou Reagan. É improvável que Obama se arrisque a fazer uma previsão deste tipo num futuro próximo. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

martedì 6 aprile 2010

MENTIR PARA SALVAR A PELLE


Estou lendo um livro importante para quem quer saber mais sobre os aspectos não verbais e psicológicos da mentira. O autor é o britânico David Livingstone Smith cofundador do Institute for Cognitive Science and Evolutionary Psychology. Entre as ideias principais é que na natureza mesma tem mentiras, e que estas mentiras sao fundamentais para a sobrevivencia da espezes. Mentir então faz bem, do lado biológico da questão. Ainda não chegue ao capitulo sobre os homens mas acho que lá também nos precisamos de mentiras para manter a omeostasi, ou seja o equilibro de nossas vidas. Me pergunto como provocação: mas si a vida é continua mudança pode a mentira evoluir com esta mudanòa ou ao final é nosso colar que nos torna cachorros, bloqueando nossa liberdade.
Na espera duma resposta vou indicar aqui abaixo alguns indícios para detectar a mentira. Si temos que aceitar, aos menos temos que reconhecer-os!

A Linguagem corporal durante uma conversa ou entrevista de emprego
Abaixo os cinco indícios mais comuns de que uma pessoa está mentindo. Eles não são infalíveis, mas se detectados indicam que você deve ficar atento durante a entrevista.

Escondendo a boca
Este é um dos gestos que os adultos trazem da infância quando se trata de mentira. A mão cobre a boca, e o dedão pressiona a bochecha. Podem ser apenas alguns poucos dedos sobre a boca, ou até mesmo o pulso. Aparentemente o cérebro, subconscientemente está tentando esconder a mentira. Muitas pessoas tentam disfarçar o ato de esconder a boca uma tosse. Se a pessoa cobre a boca enquanto você está falando, pode indicar que ela acha que você está mentindo.

Coçar o nariz
Em essência, o toque no nariz é uma versão sofisticada do ato de esconder a boca. Podem ser várias coçadas rápidas logo abaixo do nariz ou um rápido e quase imperceptível toque. Uma explicação para este movimento é que a mão está se movendo em direção á boca, e uma tentativa de ser menos óbvio faz com que ela seja puxada do nariz para a boca. Lembre-se que isso ocorre em um nível subconsciente. Se a pessoa tem mesmo uma coceira no nariz, ela irá, normalmente e deliberadamente coçar ou azunhar e não apenas fazer um toque rápido. Tal como o ato de esconder a boca, se isso acontecer quando você está falando a pessoa com quem você está falando está achando que você está mentindo.

Esfregar o olho
Este gesto tenta bloquear a mentira que a pessoa vê, ou para evitar ter de olhar no olho da pessoa para quem está mentindo. Homens normalmente esfregam os olhos de maneira vigorosa ou, se a mentira é grande, eles desviam o olhar. As mulheres geralmente passam o dedo gentilmente sob a pálpebra (para não borrar a maquilagem). Lembre-se, mentirosos não olha nos olhos quando mentem. Eles gentilmente desviam o olhar instantes antes de mentir, ou fixam o foco atrás de você (a pessoa está olhando para você, mas o olhar parece perdido).

Azunhar o pescoço
Com o dedo indicador da mão com que a pessoa escreve logo abaixo do lóbulo da orelha. Geralmente serão alguns poucos arranhões rápidos. Este é muito provavelmente um gesto de dúvida ou incerteza, característico de pessoas que pensam, “eu não estou certo disso”. Ele geralmente vem acompanhando uma contradição á linguagem verbal, como quando a pessoa diz: “eu entendo o que você está sentindo” enquanto azunha o pescoço.

Esfregar a orelha
Esta é a versão adulta do gesto em que a criança tampa os dois ouvidos com as mãos para não escutar nada. Esse movimento inclui esfregar a parte detrás da orelha, puxar o seu lóbulo, ou até mesmo dobrá-la. Se o seu interlocutor fizer qualquer destas enquanto fala, é uma indicação de mentira. O último sinal, se usado enquanto você fala, quer dizer que ele não apenas acha que você está mentindo, como ele considera ter atingido o limite.

lunedì 5 aprile 2010

CARREGAR O PASSADO NAS COSTAS


Carregar nosso passado nas costas. E' o que acontece para tudo mundo. E' sufizente olhar para as costas das pessoas para descobrir os segredos da infância. Quem tem raiva ou conflitos emocionais não resolvidos com os pais normalmente configura a postura corporal de uma forma muito especial. As costas ficam curvam demais, como si o peso da memoria fosse tão forte que o corpo não consegue aguentar.
Então a pergunta é: quanto e como mergulhar no mar da memoria? Um oceano, como descobriu o Freud, mas também um lago pequeno para terapeutas que trabalham principalmente sobre o presente dos pacientes. O papel da memoria na sociedade contemporanea é um assunto muito importante e muito discutido. Achei esta entrevista publicada hoje na Folha de São Paulo uma contributo inteligente e uma reflexão sobre um dos motores contemporaneo: a Internet que revolucionou nossa percepção do tempo.






DA FOLHA DE SAO PAULO

ENTREVISTA DA 2ª - VIKTOR MAYER-SCHÖENBERGER

Esquecer limpa a mente, ajuda a abstrair e a generalizar Pesquisador da sociedade da informação defende a virtude do esquecimento na era digital e diz que "tudo o que é arquivado na rede
deve sair do ar em algum momento"

DANIELA ARRAIS


Esquecer sempre foi fácil: costumava ser o comportamento padrão diante das tantas vidas que precisam caber em uma só. Lembrar de cada aniversário, início de namoro -e seus consequentes corações partidos-, promoção de emprego, tudo bem. Mas armazenar na memória todos os
detalhes dos anos que se passam não era possível nem para aqueles humanos considerados mais evoluídos. Até o momento em que a internet transformou essa utopia em realidade.
Com custos de armazenamento de dados cada vez mais baixos, a era digital modificou completamente a relação do homem com a memória. É tão barato guardar gigabytes de fotos, textos e vídeos que são poucas as pessoas que escolhem o que realmente querem ter para sempre. Elas esquecem, no entanto, que as informações colocadas na rede são difíceis de deletar -sites como o Wayback Machine são capazes de encontrar, em segundos, aquilo que você achava que tinha apagado.
Em consequência, os erros do passado não ficam mais restritos àquele tempo e podem voltar a nos assombrar a qualquer momento.
Precisamos mesmo disso? O pesquisador Viktor Mayer-Schöenberger acredita que não.
Autor do livro "Delete -The Virtue of Forgetting in the Digital Age" (delete, a virtude de esquecer na era digital; Princeton University Press, US$ 24,95), ele afirma que a "limpeza" que o cérebro faz constantemente é uma virtude, e não uma limitação. É o que nos permite uma atitude tão simples quanto essencial: a de seguir em frente. A seguir, leia a entrevista que Viktor Mayer-Schöenberger concedeu à Folha por e-mail.

FOLHA - A internet está tornando difícil o ato de esquecer informações?
VIKTOR MAYER-SCHÖENBERGER - Não é só a internet, mas a combinação com a digitalização, que nos permite usar as mesmas ferramentas tecnológicas para processar, armazenar e disseminar diferentes fluxos de informação, incluindo imagens, áudio e vídeo. Isso cria fortes economias de escala, o que tem facilitado uma queda dos custos de armazenagem. Hoje é mais barato armazenar todas as imagens digitais em um disco rígido, em vez de gastar alguns segundos para decidir se quer manter uma foto digital ou excluí-la. Adicione a isso grandes avanços na recuperação da informação, bem como uma rede digital global, a internet, para acesso ao armazenamento digital, e você tem uma situação em que a lembrança é o padrão, e esquecer, a exceção.
FOLHA - No seu livro, você fala sobre o papel de lembrar e a importância de esquecer. Pode explicar isso?
MAYER-SCHÖENBERGER - Durante toda a história da humanidade, o esquecimento tem sido fácil para nós. Ele é construído em nosso cérebro: a maior parte do que nós experimentamos, pensamos e sentimos é esquecida rapidamente. E (principalmente) com uma boa razão: essas
coisas não são mais relevantes para nós, e esquecer limpa a mente.
Esquecer nos ajuda a abstrair e a generalizar, a ver a floresta em vez das árvores, e a viver e agir no presente, em vez de ficar amarrado a um passado cada vez mais detalhado. Esquecer nos ajuda a evoluir, a crescer, a seguir em frente -para aprender novas coisas.
Pelo esquecimento, a nossa mente se alinha com o nosso passado, com nossas preferências do presente, tornando mais fácil a sobrevivência e a vida suportável.
Pelo esquecimento, também facilitamos a nossa capacidade de perdoar os outros por seus comportamentos.
O que é verdadeiro para indivíduos também é verdadeiro para a sociedade em um aspecto mais amplo. As sociedades devem ter a capacidade de perdoar indivíduos esquecendo o que eles fizeram, reconhecendo, deste modo, que os seres humanos têm a capacidade de mudar e de crescer.

FOLHA - Em seu livro, você diz que a memória perfeita altera nosso comportamento. Como isso acontece?
MAYER-SCHÖENBERGER - A memória perfeita tem dois potenciais efeitos de congelamento. O primeiro é em relação à sociedade. Se tudo o que dizemos e fazemos hoje puder ser usado contra nós em um futuro distante, acabando com a possibilidade de conseguirmos um emprego
melhor ou um relacionamento melhor, muitos de nós vamos começar a nos censurar sobre o que fazemos e dizemos on-line hoje. A memória perfeita criará um pan-óptico temporário -o oposto exato do que precisamos em uma sociedade democrática baseada em robustos debates cívicos.
Minha segunda preocupação recai sobre a nossa capacidade de decidir e agir no presente.
Pessoas com memória perfeita reclamam que sua tomada de decisão é dificultada por sua incapacidade de verter o passado -recordar todo o nosso passado empurra-nos para que nos tornemos indecisos. Nós devemos saber em que medida a memória perfeita usurpa nossas
vidas. Algumas vezes, a memória pode ser útil, mas será eu realmente preciso buscar no Google o nome de todo mundo antes de encontrar essas pessoas?

FOLHA - A memória é construída tanto pelo que aconteceu quanto pelo que não aconteceu. É parte da evolução humana criar histórias, misturá-las, mentir até. A total capacidade de armazenar informação pode afetar os afetos?
MAYER-SCHÖENBERGER - Sim, certamente. Nossa memória humana não é fixa. Ela é constantemente reconstruída com base em nossas preferências e valores presentes. Isso reduz a dissonância cognitiva e nos permite viver profundamente enraizados no presente. Se percebemos que a nossa memória humana não é perfeita e começamos a confiar em memórias
digitais mais do que na nossa, três terríveis consequências podem seguir: (a) podemos acreditar que o que é capturado digitalmente e lembrado é o registro completo, embora não seja (muito pode não ter sido capturado digitalmente); (b) nós podemos nos tornar dependentes da memória digital e quem quer que seja que controla essa memória digital poderá ter o poder de reescrever a história; (c) se percebermos que a memória digital também pode não ser confiável,
podemos desistir da história e da memória completamente -uma espécie arrancada sem passado.

FOLHA - Quais são os riscos de termos todas as informações disponíveis na nuvem computacional?
MAYER-SCHÖENBERGER - Se a privacidade dos indivíduos na rede falhasse em massa, todo mundo seria exposto, e a privacidade desapareceria. O sociólogo Goffman tem uma fala famosa sobre a necessidade de os seres humanos terem mais de uma fase em suas vidas. Por exemplo: uma fase para frente e uma fase para trás. Se todos os dados podem ser vistos por todos, a diferenciação desses estágios entraria em colapso, com tensões inimagináveis.

FOLHA - Nós precisamos pensar antes de começar a espalhar tanta informação por aí?
MAYER-SCHÖENBERGER - Sim, nós precisamos pensar. Mas eu estou preocupado que, se pensarmos muito, vamos nos auto-censurar. Isso pode nos proteger individualmente, mas empobrece-nos como sociedade. Seria muito melhor se nós ainda pudéssemos compartilhar muita informação, mas ter um mecanismo para que essa informação fosse esquecida ao longo
do tempo. É por isso que eu tenho defendido a reintrodução do esquecimento na era digital.

FOLHA - Como na vida, a internet precisa dar uma segunda chance às pessoas? Se não, a rede pode virar uma espécie de tribunal permanente?

MAYER-SCHÖENBERGER - Realmente. Temos que perdoar, esquecer. O Google não vai nos deixar fazer isso. Se nós procuramos o nome de alguém no Google e descobrimos uma citação de que ele estava dirigindo embriagado há dez anos, o quão relevante é isso para o presente dessa
pessoa?

FOLHA - Você diria que a sociedade da era digital não concede perdão?
MAYER-SCHÖENBERGER - Eu acho que isso é bastante apropriado.


FOLHA - Você acha que falta uma regulação para a internet?
MAYER-SCHÖENBERGER - Eu não acho que exista um regulamento simples que possamos estabelecer para evitar os problemas da memória digital. Como eu detalho no meu livro, precisamos de uma combinação de uma série de medidas para enfrentar o desafio do fim do esquecimento na era digital.

FOLHA - Como podemos apagar nossas pegadas na internet?
MAYER-SCHÖENBERGER - Isso é muito difícil porque não temos controle total sobre as informações pessoais. Algumas empresas de internet oferecem (difíceis) formas de eliminar informações pessoais. Outras não. Um grupo no Google está trabalhando em ferramentas para extrair todas as informações pessoais do Google e, em seguida, excluí-las, mas esse serviço ainda está na sua infância. Há empresas comerciais que têm serviços para apagar as pegadas, mas são muito caros. Devemos ensinar os softwares a agirem de acordo com nossa mente. Tudo o que é
arquivado deve sair do ar em algum momento. Devemos indicar a data de validade para as fotos que colocamos na rede, por exemplo. Quando chegar o momento, elas serão deletadas. Um exemplo é o site Drop.io.

FOLHA - Como você teve a ideia de escrever o livro?
MAYER-SCHÖENBERGER - Nos agradecimentos, eu conto a história de que eu esqueci como eu tive a ideia para o livro. Por acaso eu tinha escrito uma pequena nota para mim sobre a ideia. Mais tarde, eu esqueci tudo sobre ele -talvez não fosse tão importante assim.

FOLHA - Você já deve ter ouvido muitas histórias de pessoas com problemas por conta das pegadas digitais. Qual chamou mais sua atenção?
MAYER-SCHÖENBERGER - Foi o caso de uma mulher norte-americana de quase 30 anos que havia ficado alguns anos na prisão por algo que ela tinha feito aos 18 anos. Depois de sua libertação, ela se mudou para uma nova cidade, começou uma nova vida. Encontrou um marido, um emprego, seus filhos cresciam em uma família normal. Até que um colega de um filho "deu um Google" no nome dela e, por acaso, deu de cara com um site que colocava fichas policiais com foto de todos os prisioneiros do Estado nas últimas duas décadas. De repente, a vida dela desmoronou.

FOLHA - Se hoje as pessoas não têm direito a uma segunda chance, o que pode acontecer em dez, 20 anos?
MAYER-SCHÖENBERGER - Se nós não oferecermos a nós mesmos uma chance de escolha significativa em breve, gerações de nativos digitais vão crescer e assumir que a escolha não é possível. Eles vão adaptar suas vidas para as restrições impostas pela máquina. Isso seria terrível. Nós podemos moldar a máquina de qualquer maneira que quisermos. E, se quisermos, podemos fazê-la de uma forma que nos ofereça escolha!